Quando a angústia, a preocupação ou a incerteza me batem à porta não lhes abro a porta.
Como a todos, elas também gostam de me visitar.
Às vezes batem de leve, outras vezes batem com violência, outras insistem um pouco, outras parece que não querem largar a porta mais parece quererem arrombá-la.
Mas eu, na minha teimosia, não lhes abro a porta.
Não porque seja melhor que os outros, mas porque não aconteceu e entendo que tenho feito bem. Às vezes a casa treme, os vidros parecem querer estourar, o telhado vê-se ameaçado, a chaminé silva como em dia de ventania.
Às vezes dá vontade de abrir a porta e fugir para longe para não ter que viver debaixo do mesmo tecto que elas.
Mas não!
Não fujo e não abro a porta.
Depois, percebo sempre que valeu a pena.
Deus manda-me uma visita suave, prestável, disponível, como uma bengala para que me apoie na fragilidade deixada pela ventania da angústia que queria entrar, da preocupação que queria instalar-se, da incerteza que queria dominar.
Pode ficar a fragilidade mas não fica nenhuma delas em mim porque não lhes abro a porta.
Deus manda-me sempre uma bengala para apoiar essa fragilidade.
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